Os amigos da minha infância se misturaram com o que sou, em essência, e nunca mais partiram. Quando o acaso da vida me permite reencontrá-los, pelas ruas da cidade, me sinto estranha... Talvez por percebê-los fora do espaço/tempo que antes nos aproximava e que nos tornava tão iguais... Por fora, noto que mudamos... O tempo é imbativel! Mas pressinto que se nos fosse dada a oportunidade de reviver a nossa infância, nem que fosse por poucas horas, não perderíamos tempo e jogaríamos a "amarelinha", (na minha região, "macaco" e, quase sempre, jogávamos com casca de banana); o "baleado"; o jogo da estátua ; sem deixar de lado o jogo do "liso" - jogaríamos com pedrinhas redondas, brilhantes... Faríamos um arco com a mão esquerda e tentaríamos, com muita maestria, fazê-las atravessar, feito raio, o 'arco' de nossa mão... Iríamos até o campo abandonado, perto de casa, e também brincaríamos de "assombração"... Todos de mãos dadas até o meio do campo, como fazíamos antes, sempre à noitinha, e alí soltaríamos as mãos... Logo, correríamos, todos juntos, até as varandas iluminadas das casas mais próximas, em busca de refúgio. Nos divertiríamos pra valer!... Seríamos, mais uma vez, pura adrenalina! Ao retornar, teríamos a sensação de que ainda somos crianças e de que a vida é muito mais do que uma corrida frenética...
o fio da nossa essência, na minha memória todas essas imagens perpassaram, porque somos da mesma geração, porque muda-se apenas os espaços geográficos mas em tempo real nos divertíamos da mesma maneira, sempre sinto por essas crianças, que brincam com uma máquina (computador, game) elas não sabem o calor emanado quando o outro te encontra esconcido em qualquer lugar da brincadeira, a divisão dos grupos, o sorriso ou a cara torta, chegar junto, separar para encontrar. Adoro o cheiro da minha infância, da minha merendeira, dos meu sorriso tímido, do meu olhar curioso.
ResponderExcluircom amor,
Rê.