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"Ouso ser simples como a água e o pão..."

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O instante, a contemplação, a vida... felicidade

Por Gilson Teixiera



Um dia, em algum lugar, seis horas da tarde, uma família senta-se em uma das mesas de um bar. Duas senhoras, uma jovem e uma criança de uns quatro, cinco, seis anos, no máximo. Pelo modo de se vestir e se comportar Possuem pouca renda. Pedem um litro de refrigerante, salgadinhos uns poucos ... O atendente traz o pedido e os copos, nos Quais verte o conteúdo escuro da bebida. A criança sorri com mais uma profunda pureza quando vê o refrigerante em seu copo. Mesmo sendo um pouquinho só, menos da metade. Olha-o, um ponto de vesguear. Existia, naquele momento, um único ponto de contemplação: aquele líquido maravilhoso em seu copo. Admira-se com as borbulhas produzidas pelo gás. Sorri, nada mais, sorri ... Balanceia a cabeça, de um lado ao outro, lentamente. Seu corpo volta e vai, para frente e para atrás, dá voltinhas com contidas em seu tronco ritimado movimento como o da bailarina não Lago dos Cisne. E sorri ... Levanta as mãos, leva-as em direção ao copo, o-pega ... Larga-o ... Recolhe os braços para junto de seu corpo, como coxas rocam suas mãos. Olha o refrigerante, novamente vesgueia, balança a cabeça e. .. Sorri. São segundos que parecem eternos tamanha a imagem da beleza. Que enorme Ocorrem ali contemplação e prazer. Aos poucos os braços aproxima da mesa, outra vez em suas mãos são conduzidas até o copo. Segura-o, agora um pouco mais que antes. Mas só isso. As outras pessoas da mesa conversam entre si alto, gesticulam falam, ... estão em outro universo. Ela, uma criança, é a única a viver o momento no qual, como seis da tarde, sopra uma suave brisa gostosa, que Abranda o calor insuportável daquele lugar. Esse instante sublime tem que ser apreciado, degustado com suavidade como essa criança o faz. Levanta o copo, aproxima de seu rosto, olha o seu conteúdo e. .. Sorri com alegria, felicidade balanceia com a cabeça ... Rapidamente Solta o copo sobre a mesa, só que naquele gesto como crianças são Capazes de fazer. Abaixa os braços e segura firmemente nas laterais da almofada da cadeira em que estava sentada, como quem procurasse constatar que de fato estava ali, a fim de ter certeza de que aquele momento era real. Sorri, um sorriso alegre, contente, um sorriso de inocência cúmplice do infinito prazer daquela experiência. Volta a pegar o copo, por fim leva-o à boca, em um proceso milimitrado lentissimo,. Somente molha os lábios com o conteúdo do copo, sente cosquinhas nos lábios ... Imediatamente o devolve um lugar seu. Na boca da menina Maior aparece um sorriso, mais largo. Logo seguido dos movimentos corporais de cabeça e corpo. Volta a bailar ... Aqueles gestos, tão puros, que só uma criança sabe fazer. O ritual prolonga-se por alguns minutos, mas eternos. Quem o viu, contemplou-o ... Foi um instante de comunhão com uma beleza do universo expressa na felicidade ingênua de uma criança Degustando um refrigerante.

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